Que já há algum tempo não somos o país do futebol, todo mundo sabe, e os números não mentem. Carregamos um jejum de 24 anos sem levantar a taça. Olhando para o nosso material humano em campo e para a forma como estamos jogando, parecemos um time pequeno que entrega a bola ao adversário e espera por uma falha deles ou por um lampejo individual dos nossos jogadores.
Esta Copa nos resumiu a um Paraguai piorado: uma equipe sem
alma, sem cacoete para defender e sem saber sofrer. Perdemos o nosso DNA
ofensivo, a nossa irreverência e, para completar, contratamos um técnico
europeu que não gosta de jogar com a bola. O treinador é reativo, montou mal o
grupo e, durante a competição, percebeu que algumas peças simplesmente não
serviam, tanto que deixou de utilizá-las. Sabe quando você compra uma roupa
barata, chega em casa e pensa: "Gostei, não"? A roupa fica esquecida
no guarda-roupa. Foi exatamente isso que aconteceu com alguns jogadores nesta
Copa.
É importante dizer que a convocação foi um equívoco quase completo. Já não temos bons laterais e, ainda assim, levamos os mais velhos e fora de forma. Temos dois bons centroavantes, Pedro e João Pedro, mas o mister resolveu apostar em jogadores que nunca corresponderam com a camisa amarelinha. Levamos um ex-jogador em atividade para vestir a camisa 10 por pressão popular, um goleiro que não transmite confiança, um meio campo lento e ainda sofremos com as contusões que deixaram de fora Rodrygo, Estevão e Wesley.
Somando tudo isso, a Seleção viveu um ciclo conturbado,
trocando de técnicos como quem troca de roupa. Também é bom lembrar que só
chegamos a esta Copa porque o número de participantes aumentou de 32 para 48
seleções, o que facilitou a classificação. Enquanto isso, seleções
sul-americanas como Argentina, Colômbia, Paraguai e Equador mostram-se
nitidamente melhores e mais organizadas do que a nossa Seleção Canarinho.
E, antes que alguém diga que temos a liga mais forte das
Américas, vale lembrar que os grandes craques e protagonistas do Campeonato
Brasileiro, em sua maioria, não são brasileiros. Hoje, qualquer clube da Série
B tem pelo menos um jogador estrangeiro. Se Liga forte fosse garantia de título
mundial, a Inglaterra não amargaria mais de 60 anos sem conquistar uma Copa do
Mundo.
Agora, resta esperar mais quatro anos e acreditar em um novo
ciclo. É o que nos resta. Ou, quem sabe, fazer como a França e formar uma
seleção com atletas de origem africana.
Arnold Coelho
Não sofro mais pela seleção canarinho

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