CÂMARA DE VEREADORES DE IBICARAÍ

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AGORA AS SESSÕES ACONTECEM ÀS QUINTA-FEIRAS.

23 de janeiro de 2026

O ritmo frenético da cidade grande faz o ser humano ser menos humano


Moro em Ibicaraí, uma pequena cidade do Sul da Bahia, com cerca de 22 mil habitantes. Como a maioria dos seus moradores, sempre que precisamos de atendimento de saúde de média ou alta complexidade, é necessário sair em busca de um centro maior. Comigo e minha esposa, Fátima, não foi diferente. Ela precisou passar por um pequeno procedimento cirúrgico, e o destino foi Itabuna.

Saímos de casa ainda cedo (eu, Fátima e seu irmão, Marcos) rumo a um centro oftalmológico da cidade. Como acompanhante, passei boa parte da manhã em uma sala confortável, aguardando o término da cirurgia. Enquanto esperava, via pessoas chegando e saindo o tempo todo. Médicos e funcionários seguiam sua rotina pelos corredores de um prédio moderno, frio e organizado. Ainda assim, senti falta de algo essencial: vida e calor humano.

Por um bom tempo, observei ali um típico clima de cidade grande, onde pessoas e objetos parecem se confundir. Em alguns momentos, tive a sensação de que muitos se assemelhavam a máquinas, frias, silenciosas, sem diálogo, sem troca, sem empatia. Pessoas que vivem na correria do dia a dia e já não têm tempo para expressar sentimentos ou perceber o outro. Não vi maldade e não faço julgamento. Mas notei olhares assustados, gestos contidos e uma desconfiança quase generalizada.

Venho de uma cidade pequena, aquecida pelo afeto e pela compaixão das pessoas. Estou acostumado a ir cortar o cabelo ou fazer compras no mercado e passar boa parte do tempo conversando, rindo e trocando histórias com amigos. Ibicaraí acolhe. Dá atenção. Faz você se sentir parte. O calor humano do outro nos faz sentir mais vivos, úteis e próximos do nosso semelhante.

Itabuna, apesar de ser uma cidade de porte médio, com cerca de 200 mil habitantes, recebe diariamente pessoas de várias outras cidades que vão trabalhar, comprar ou buscar tratamento médico. Lá se encontra um pouco de quase tudo. Falta, porém, o que considero essencial: empatia e calor humano.

Voltei para casa com minha esposa já operada e com a sensação que apesar de ter estado em um ambiente cheio de pessoas, eu me senti sozinho por todo o tempo que ali estive.


Arnold Coelho

Por mais empatia

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