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7 de março de 2015

Seis meses após ato racista contra Aranha, torcedora do Grêmio até se disfarça para não ser reconhecida na rua.


Quando saiu de casa, na noite fria do dia 28 de agosto de 2014, com a camisa do Grêmio, Patrícia Moreira não sabia que sua vida viraria do avesso. Da arquibancada da Arena Grêmio, para o jogo entre o Tricolor gaúcho e o Santos, pela Copa do Brasil, a torcedora xingou o goleiro Aranha, então no Peixe, foi flagrada por câmeras de TV e viu o mundo desmoronar por causa da ofensiva palavra de seis letras. Perdeu o emprego, teve a casa incendiada, sofreu agressões verbais e se exilou do mundo. Seis meses após o caso, e de ser indiciada por injúria racial com outros seis torcedores, ela conseguiu um novo emprego, mudou a aparência e tenta recomeçar a partir do erro.

— Ela mudou a aparência, mexeu no cabelo e de vez em quando usa gorro para se disfarçar, quando não está tão calor. Quer manter o anonimato e evitar qualquer xingamento ou agressões — afirmou o advogado da jovem, Alexandre Rossatto. — As semanas variam entre evoluções e quedas, com todos os sintomas de uma pessoa depressiva, de altos e baixos.
A rotina diária da torcedora se resume a sair de casa, pegar um ônibus, ficar oito horas no trabalho e retornar para o “exílio”. Nada de festas, amigos que frequentem sua casa ou qualquer forma de distração. Nem mesmo as redes sociais a jovem voltou a utilizar por medo.
— A Patrícia não tem feito nada, tem ficado só em casa, no canto dela. Os irmãos a pegam no fim de semana para não ficar tão presa. Mas ela quer ficar quieta. Trocou telefone, não tem rede social e só agora retomou o contato com alguns amigos — disse o defensor da jovem.
Com a casa pichada e incendiada em setembro, a jovem foi morar um tempo com os irmãos e agora vive sozinha. Encontrou um emprego dentro da sua área, mas ainda é lembrada pelo episódio lamentável por onde passa.
— Ela tenta refazer a vida, está em um trabalho inferior ao anterior, mas é uma recolocação. Não é mais ameaçada, mas ficou tachada de racista. No ônibus, as pessoas a reconheceram, apontaram, mas como pega sempre o mesmo, já nem falam mais — contou o defensor.
Patrícia se recusa a falar com a imprensa, disse que sua privacidade já foi muito invadida, segundo o advogado. Mas não esquece os insultos que cometeu, mesmo que garanta não ser racista.

— Ela foi tão vítima quanto o Aranha. Isso teve reflexo grande na vida dela. Ela tenta reverter, mostrar quem realmente é — afirmou Rossatto.

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